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medicação

por M.J., em 07.08.17

ando a tomar uma medicação que me mexe com os nervos.

é verdade. podia ser ironia, que isto comigo aplica-se que nem cerejas verdes, mas é verdade:

estou ainda com menos paciência do que o normal. mais irritadiça. mais cínica.

e sim, há medicação que ajuda à coisa, numa espécie de pega lá que já almoçaste, se achas que estavas mal então ainda não viste nada.

 

uma grandessíssima filha da putice. que pode trazer consequências graves para a minha saúde uma vez que, tarda nada, fico ceguinha de tanto revirar os olhos.

 

se é feitio? também mas alterou substancialmente desde que comecei a tomar aquela bosta.

e das duas uma: 

ou chego ao fim da caixa assassinada por alguém; ou

assassino-me a mim própria antes de chegar ao fim. 

 

é que não há pachorra. 

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até logo

por M.J., em 07.08.17

 

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publicado às 12:16

dúvidas

por M.J., em 07.08.17

às vezes sento-me em frente ao pc, quieta, parada na espera de escrever qualquer coisa.

não há inspiração que venha.

as teclas não se mexem sozinhas numa ideia fantástica, num desabafo, num alívio de palavras.

 

às vezes, simplesmente, não há grande coisa acerca do que escrever, mesmo que pudesse relatar as coisitas do fim de semana, o livro acabado, o rodrigo leão & scott matthew ao vivo, o almoço em família, o cão louco que numa corrida desenfreada me fez cair, o café num sítio do passado, a caminhada no choupal, assim, estas coisas não por esta ordem mas a manterem-me segura à terra.

 

não há muito que escrever e tenho medo:

e se um dia já estiver tudo escrito e não houver nada a acrescentar?

e se de repente perceber que nada do que diga, ou faça, ou seja, ou escreva é novo?

nada traz a excitação do que era, nada acrescenta novidade e confetis, serpentinas e fogos de artificio, flores viçosas e expectativas?

é possível viver-se toda uma vida que foi, entretanto, vivida e tudo o que resta são os resquícios do que foi outrora?

é possível permanecermos na caminhada em direcção ao nada, sentindo que levamos esse nada nos pés?

ou que o rasto que fazemos é tão ténue que não se nota?

 

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ele há dúvidas...

por M.J., em 04.08.17

acordei esta noite com uma dúvida existencial que me fez arrepiar os cabelos da nuca:

tipo, do género, que é feito dos il divo?

cantaram até rebentar?

foram comprados, cada um, por uma senhora de meia idade que os tem em casa como bibelots, a cantar sempre que tocam à campainha?

desapareceram no meio de uma multidão em menopausa, queimados por afrontamentos?

 

alguém sabe?

alguém?

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oh vai ver ali:

barrigas de aluguer: sim, não, talvez, depende.

 

justique.

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"Claudette era alta, magra e bem conservada para os seus cinquenta e muitos anos."

do livro secreto deste mês - Um castigo exemplar, Júlia Pinheiro

 

 

*(sinto-me sempre tão excluída nestas coisas. é como se fosse novamente a última gorda a ser escolhida nas aulas de educação física ou a miúda das festas de aniversário a que nunca ninguém vinha - nenhuma das opções ocorreu mas achei que podiam ilustrar).  

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comente se faz favor.

por M.J., em 02.08.17

uma vez dormi em casa da mãe de uma amiga.

precisava de ficar uma noite em lisboa por motivos profissionais e, entre a opção de um hotel completamente pago e à escolha ou a casa desabitada da mãe de uma amiga, optei pela segunda.

não me julguem. sou uma pessoa com alguns distúrbios - evidentes - e, naquela época, eram mais acentuados.

 

quando chegámos, eu ligeiramente em pânico porque tinha a ideia que me ia perder irremediavelmente (e não no sentido figurado) no metro, acabando mais cedo ou mais tarde por ser encontrada morta num dos carris, percebi que a casa:

a) estava cheia de pó até às orelhas, o que me provocou uma valente alergia;

b) tinha cotão nos cantos, o que aumentou a minha alergia;

c) tinha papelinhos espalhados pelas paredes e em todo o lado com coisas básicas escritas:

"por favor limpe os pés quando entrar";

"se usar a sanita não se esqueça de puxar o autoclismo";

"feche o saco do lixo quando o caixote estiver cheio e leve-o imediatamente para a rua";

"não deixe ficar louça suja na pia",

e por aí adiante.

 

no primeiro impacto julguei que aquilo fora ali colocado por minha causa o que, vistas bem as coisas, me pareceu contraditório.

era um tanto obtuso que uma casa pejada de pó e com cotão acumulado nos cantos, me recebesse com avisos para sacudir os pés à entrada.

mesmo assim encabulei, meti o rabo entre as pernas e fiquei a olhar, sem saber o que dizer.

 

a minha amiga havia-me avisado que a mãe era um nadinha estranha. 

quase doente, enfatizara, tentando que eu ficasse esclarecida, mas aquele nível era incompreensível até para mim.

sabes, disse ela depois de me ver ao canto , a minha mãe costumava receber visitas de uns amigos cá em casa.

e eu, já mais descansada, se calhar aquilo não era para mim mas uma leve tentativa de educar:

com crianças, presumo?

e ela, encabulada:

não. brasileiros. achava que lá ainda não haviam chegado alguns hábitos de civilização.

 

ñão soube o que dizer na altura.

agora já sei. 

 

oh gente do catano!

 

o que diriam vocemecês?

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oh vai ver ali:

desinformação

por M.J., em 01.08.17

a questão é que nunca houve tanta desinformação.

em boa verdade, pensei mesmo já lançar um site dedicado ao assunto, todos os dias com coisas novas, só para ver o mundo a arder.

porque nisto, meus senhores, sejamos habilitados com o grau de pós doutor (essa maravilha da natureza. já és tudo, então pões um pós ao tudo) ou a quarta classe feita nas novas oportunidades, todos nós caímos, mais cedo ou mais tarde, numa desinformação qualquer e achamos que estamos cinquenta passos à frente dos comuns dos mortais.

 

se quiserem ter uma noção dêem uma olhadela pelas internets da vida.

no mesmo dia podem ler que o salmão é um peixe bom e que o salmão é um peixe mau. que o leite é um alimento recomendável e que o leite não presta. que comer carne faz mal e que comer carne faz bem. e tudo isto sustentado em artigos que lançam mão de um estudo qualquer feito numa universidade que ninguém nunca viu ou questionou da veracidade do mesmo. 

 

chocolate ao pequeno almoço emagrece, noticia-se, num título manhoso de clickbait, e nos grupos de saúde do facebook vem logo um montão de mulheres, num português ranhoso:

gente quero perder vinte quilos numa semana. chocolate pode?

arroz pode?

suco de limão de manhã e antes da janta emagrece?

e eu, se quiser, encontro cinco artigos, todos diferentes a dizer que sim, não, talvez e só em noites de luar com duas galinhas na testa.

oh-meu-deus.

 

 

na semana passada, quando morreu chester bennington, durante uma hora andou meia Internet a especular sobre a coisa:

morreu ou não morreu?

um jornal dizia que sim e cinquenta comentários diziam que não apelando a sites anteriores que davam conta da morte do homem mas ele permanecera vivo.

e de repente, há uma noticia da própria notícia: homem pode ou não ter morrido. 

é isto.

as nossas noticias assentam agora no pode, mas ainda vamos ver.

avião pode ou não ter caído.

pessoa pode ou não ter-se suicidado.

cão pode ou não ter mijado no carro do cidadão do quarto esquerdo. 

senhores!!!

 

para não cair na rolha de desinformação decidi fazer like em centenas de páginas diferentes do facebook, com ideologias contraditórias, todo o tipo de jornal e alguns grupos.

pensei: que sa lixe! se aparecer no meu feed paleolíticos a dizer que só devo comer bacon, e que os frangos devem ser alimentados a bifes; e macrobióticos a mandar-me comer algas ao pequeno almoço e que a carne não deve ser um alimento essencial; e vegetarianos a dizer que devemos comer só folhas; (vêem como estou a espalhar desinformação, pegando em estereótipos?) e a maria vieira a dizer que o trump é o maior estadista jamais visto; e a ana bola a dizer que a maria vieira está sequestrada pelo marido que disse que o trump é o maior; e o cláudio ramos a dizer que a ana bola disse que a maria vieira está sei lá o quê; e o dioguinho a dizer que o cláudio ramos disse que a ana bola disse que a maria vieira disse que o trump disse que o frango faz mal disse que devemos comer ervas e oh... porra, perdi-me, enfim, dizia eu, se eu tiver coisas desta gente toda vou saber o que se passa realmente numa pequenita parte do mundo.*

é... pois não.

 

na verdade, o facebook tem um algoritmo fantástico.

de repente não aparecem - como há uns anos - todas as publicações no nosso feed até à ultima que vimos há dois dias.

era bonito, era, mas não.

o facebook dá-te informações consoante os teus gostos e actividade. portanto, se abrires dois dias seguidos várias noticias do correio da manhã, nos próximos tempos vais ser bombardeado com informações constantes de violações, sócrates, mortos, sócrates, pedofilia, sócrates e funerais. e se usares muito o facebook - até por questões profissionais - vais achar que portugal está a entrar no seu fim e que, mais cedo ou mais tarde, seremos bombardeados por um meteorito porque isto é o apocalipse.

 

os tempos estão maus, dizem as pessoas, faz cá falta um salazar.

e se fores à procura encontras cinco ou seis grupos de muitas mil pessoas a apregoar as virtualidades do salazar enquanto escrevem sobre como a política é uma merda (nada contraditório).

e se, enjoada, fores à procura, encontras mais cinco ou seis grupos que dizem que a mariana mortágua é que é, e é tanto que devia aparecer nuinha da cintura para cima e mostrar aquilo que tem de melhor. (mulheres ao poder mas em mamas?)

a sério.

a questão é tão fascinante que os grupos do facebook davam um mesmo um estudo de pós doutoramento:

macarrão com pés de galinha, pode?

 

nunca houve tanta informação mas também nunca houve tão pouca.

é difícil saber o que é verdade ou não e, em ultimo caso, passamos todos a achar que não há verdades mas apenas coisas que podem ser mais certas do que outras, dependendo da interpretação. 

uma colega minha dizia há uns tempos que não bebe leite.

és intolerante à lactose? perguntei, curiosa.

que não. apenas que o leite não era preciso.

então aderiste à corrente, disse eu, na maior das ingenuidades.

e ela, furiosa, não é isso. é que o leite não me traz vantagens nenhumas.

olha que merda!!!! ia eu exclamando num outro palavrão mais feio, começado por c e acabado em o.

beber coca cola também não. ou apanhar sol na praia nas horas de maior calor. ou dormir mais do que sete horas. ou... metade das porcarias que fazemos. 

 

as pessoas gostam de modas.

eu também.

faz parte. 

o que eu não sabia é que as pessoas não gostam que lhes digam que seguem modas, que estão desinformadas e que o melhor nisto tudo é seguir o bom senso. na, na, ni, na, não!

elas estão informadas, estão mais à frente, sabem mais!

só abacaxi três dias seguidos emagrece?

 

oh gente do catano. 

 

*para quem não entende: ironia.

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isto é uma pergunta curiosa

por M.J., em 31.07.17

raminhos, esse comediante (com ou sem aspas, como quiserem):

gostam, desgostam, conhecem, desconhecem, conseguem rir, não conseguem...

 

contem-me tudo. 

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oh vai ver ali:

* ou se calhar não tão bons;

** não confundir com perseguir;

***num sem fotos profissionais e sem presuntos ao léu.

 

1. o mais óbvio: não sou tão chata. não dá para escrever lá os testamentos que aqui debito. sou até minimalista:

 

Café em pausa. #coffe #cafe #pause

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2. o mais divertido: não sou tão cinzenta. pelo contrário. há cores.

 

 

3. o mais interessante para os curiosos: mostro muito mais da pessoa que escreve a M.J. do que a M.J. (ainda que, vistas bem as coisas, cada vez haja menos diferenças).

 

Vamos então fazer magia #crochet

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4. o menos interessante: tem pedacitos de pensamentos tidos ao longo do caminho.

 

Há beleza em todo o lado #spring #flowers #caminhar

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5. o mais guloso: tem montes de comida. a maioria aprovada pelas comissões de alimentação saudável do mundo 

 

Aveia e cereja! Quem diria que ia combinar. #bolo #cake #nosugaradded

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6. o mais queirosiano: há sempre um livro à espreita (bem menos dos que leio).

 

7. o mais corriqueiro: mostra retalhos de uma vida banal pelo que podem sentir-se orgulhosos da vossa, em comparação. 

 

É sexta-feira #tea #christmastime🎄

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8. o mais bucólico: tem retalhos da serra. ou o que resulta dela, vá.

 

Fruta feia, dizem eles #aminhamãenãoexageranada

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9. o mais simpático: às vezes é mais bonito do que as palavras que aqui escrevo.

 

#banalidades

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10. e por fim, o mais amigável: tem pequenas memórias de uma amizade que por aqui começou.

 

Maravilhosa paisagem. A serra lá atrás também não está mal... #vaihavercasório

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posto isto... se não estou convencidos também não vos quero lá.

 

mas se não souberem o caminho é por aqui:

redes-sociais...jpg

 

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oh vai ver ali: